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CRAM apresenta perfil da mulher vítima de violência em Lençóis

Publicada em 21/08/2025, às 15:53

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A mulher lençoense que mais sofre violência possui idade entre 30 e 39 anos

A mulher lençoense que mais sofre violência possui idade entre 30 e 39 anos

Dentro da programação especial desenvolvida pelo CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher), Vanda Terezinha Quadrado, para o Agosto Lilás, mês de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, foi apresentado na última quarta-feira, dia 20, o Diagnóstico da Violência Contra a Mulher em Lençóis, que revelou dados e mostrou o perfil da vítima deste tipo de violência no município: mulher branca, com ensino médio e renda de dois salários mínimos.

A apresentação aconteceu no plenário da Câmara Municipal, com a presença do secretário de Assistência Social, Ney Góes; presidente do Legislativo, Chico Naves, e vereadores Diego Doni e Glauco Temer Feres, presidente da OAB. Também acompanharam a apresentação, representantes do Rotary e CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), e advogadas que integram o projeto OAB por Elas, que atua em parceria com o CRAM.

A programação do Agosto Lilás em Lençóis contou com o apoio da Secretaria de Recursos Humanos e Sedecon (Secretaria de Desenvolvimento Econômico).

De acordo com CRAM, em 2024, foram registrados 514 casos de violência contra mulher em Lençóis Paulista, sendo que 139 mulheres foram atendidas no período, 12 delas sendo acolhidas em locais sigilosos devido ao risco de feminicídio. Este ano, até o mês de agosto, já foram 102 mulheres atendidas.

Quanto a medidas protetivas emitidas judicialmente, já foram 169 apenas até agosto, sendo que durante todo ano passado foram 134.

Conforme apresentado pela coordenadora do Centro, Milena Mileske, o CRAM recebe a comunicação deste tipo de violência vinda de todos os instrumentos de proteção do município, seja da rede socioassistencial (CRAS, CREAS e secretarias de Assistência Social, Educação e Saúde), como da rede intersetorial, composta por Ministério Público, polícias Civil e Militar, e Guarda Civil. A diferença entre os casos registrados e o número de vítimas ocorre, segundo ela, devido a mulher ser vítima em mais de uma situação o quando há mais de uma notificação.

O perfil traçado pelo CRAM mostra que a maioria das vítimas possui ensino médio completo (40,8%), tem rendimento de até dois salários mínimos (40,29%), e se declara branca (50,36%). A mulher lençoense que mais sofre violência possui idade entre 30 e 39 anos (30,22%), faixa seguida por quem tem entre 40 e 49 anos (26,62%), e entre 18 e 29 anos (21,58%).

O levantamento do CRAM mostrou que em Lençóis Paulista a maior incidência contra a mulher é de violência psicológica, sendo 121 no período (85,07%); seguido da violência física, 105 (75,53%) e violência patrimonial, com 76 casos (54,67%). Na sequência estão a moral, 73 casos (52,51) e sexual, com 21 casos (15,10%), em 2024.

O secretário de Assistência, parabenizou o trabalho desenvolvido pelo CRAM. "Sabemos o quanto Lençóis tem ganhado com a criação da Casa da Mulher, hoje temos uma porta para acolher as mulheres, o que dá a elas a segurança que precisam, sem medo de serem vítimas de preconceito durante atendimento", disse Ney

A coordenadora do CRAM, enfatizou o fato de que, mesmo sendo vítimas, grande parte das mulheres não consegue identificar situações de violência, por isso a importância de tratar sobre o assunto. "As mulheres demoram muito para entenderem que estão em um contexto de violência e é muito comum ouvir que se soubessem do serviço antes tinham procurado ajuda". E ainda ressaltou a importância do tema ser visto como responsabilidade por toda a sociedade. "A ideia é a conscientização de todos, a sociedade como um todo", afirmou.

A coordenadora enfatizou ainda a necessidade de acolher a vítima, sem julgamentos, e de agir quando identificado um caso de violência. "São essas reflexões que queremos provocar e entender que o problema é de todos e precisamos pensar dessa forma para contribuir com a solução", avaliou.

Ao todo, serão nove palestras ministradas pela equipe do CRAM durante o mês. Já foram realizadas nos CRAS I, II e III, no Centro Dia do Idoso, com integrantes da Frente Solidária e duas vezes na Câmara Municipal para servidores do município. Nesta sexta-feira, dia 22, é a vez da unidade ESF na Cecap e na próxima semana na Legião Feminina.



Serviço:

O CRAM funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e em plantão pelo telefone (14) 99826-9072. O telefone fixo é o 3246-8884, e o endereço é rua: São Paulo, 501, Centro.